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CAPÍTULO - III

ATAQUE DAS FORMIGAS

No meu tempo de criança, o período do Natal era a época do ano que nós mais gostávamos, e isso se devia à vários motivos, férias escolares, passeio na praia, um dia inteiro para brincar, e principalamte, os presentes de Natal.

Por isso, eu não via a hora desta data chegar, esperava ansioso para a Mãe dizer aquelas palavras quase mágicas:

- (Mãe) Tua Madrinha está vindo de São Paulo!

- (Narrador) Viva, viva, a Madrinha está chegando!

Sempre que ela vinha me trazia um presente, mas no Natal, era "O PRESENTE!".


Diabos! Eu tinha esquecido disso!  (Ops! Desculpa o palavrão)

A Mãe tinha dito que ela estava vindo, e provavelmente iria dormir lá em casa, mas a cintada acabou provocando amnésia.

Para o meu azar ela chegou pouco depois que fui deitar, foi quando ouvi aquela terrível conversa de minha Mãe com ela, do lado de fora do meu quarto.

- (Mãe) Emília, tú dorme na cama da Irma, e amanhã faz uma surpresa para
            o Sebastião!


Vixi Maria! Me ferrei! Não tinha como evitar a tragédia, até meu São Sebastião saiu correndo do quarto, afinal o que era umas flexinhas pelo corpo, diante do que estava para acontecer.

E acreditem, ACONTECEU!

Mal a Madrinha deitou, e já escutei o primeiro:

- (Madrinha) Ai!

Seguido de:

- (Madrinha) Ai, Ai!

E depois um:

- (Madrinha) Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Ai....!

Que foi acompanhado por um:

- (Madrinha) Maria do céu, vêm cá!!!

- (Madrinha) A cama da Irma está cheia de pulgas raivosas, elas estão picando minha bunda!

Quando a Mãe entrou no quarto e acendeu a luz, meu castigo começou.

Escondido debaixo do lençol, tive de assistir aquela cena traumática da Madrinha de bunda de fora, forrada de bolhas e formigas, levando tapas da Mãe, na tentativa de tirar as formiguinhas.

Se tivesse acontecido com a pessoa certa, que era o alvo, o sucesso teria sido total, melhor até que o planejado.

Mas a vítima tinha sido justamente ela, minha Madrinha, que veio de São Paulo para me trazer um belo presente de Natal .

Tadinha! Sorte dela, que o Pai usava bastante álcool na Barbearia, então lá em casa sempre tinha no mínimo uns 3 litros, embora, se não me falha a memória, não foi o suficiente, diante da amplitude da superfície e do número de picadas, que ela depois ficou sabendo, não serem de pulgas raivosas, e sim, de formigas, mas também raivosas.

Para finalizar, informo que a Mãe reforçou a minha tatuagem anterior e fez mais uma, e para o meu azar, não havia mais álcool para amenizar a dor.

Vingança!!! Nunca mais!!!!

Narrado por: Sebastião Vendelino Reinert  
  
Nossa Família Nossa História
Enviado por Nossa Família Nossa História em 23/01/2021
Alterado em 24/01/2021


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